Estudar literatura para os vestibulares e o Enem

Estudar literatura para os vestibulares e o Enem

Nos últimos vinte anos, as provas de Literatura nos vestibulares mudaram muito.

De maneira geral, nos vestibulares com listas de obras obrigatórias, as questões do passado estavam voltadas à compreensão do enredo dos romances e dos contos. No caso da poesia, bastava conhecer elementos formais da obra (metrificação e rimas, por exemplo) e os grandes temas nela abordados. Nas provas em que não havia lista obrigatória, os candidatos tinham de conhecer as características dos movimentos literários. Em resumo: tudo muito imediato, com pouca reflexão e muita memorização.

Evidentemente, esse modelo de prova caiu em desuso porque nele não se verifica aquilo que é fundamental numa avaliação de Literatura: a capacidade de compreensão e de análise de textos literários. Era tudo relativamente simples para os professores, que apresentavam aquelas características, e para os alunos, que as memorizavam. Era simples porque essas atividades não envolviam a leitura do texto literário propriamente dito, ou a envolviam de maneira superficial.

Acontece, entretanto, que há cerca de vinte anos os vestibulares mudaram. As grandes bancas examinadoras começaram a perceber que o melhor candidato era aquele que tinha maior capacidade analítico-interpretativa dos textos. Dizendo de maneira simples: as bancas perceberam que é mais importante valorizar a competência de leitura do que a de memorização. Que vale mais relacionar e analisar diferentes aspectos do texto – gramaticais, estilísticos e temáticos, por exemplo – do que simplesmente saber de cor os nomes das personagens. Interessa que o aluno reconheça uma sinestesia ou uma aliteração em um texto simbolista, não que ele saiba listar todas as características desse movimento. E ainda mais: que ele saiba mostrar a função dessa sinestesia na produção de sentido do texto como um todo.

Assim, estudar literatura para os grandes vestibulares e para o Enem é desenvolver a própria capacidade de compreensão e de análise de textos. É dedicar-se à leitura com regularidade, adquirindo fôlego para textos mais extensos e difíceis. É aprender a estabelecer relações entre diferentes trechos do mesmo texto e entre diferentes textos. É, finalmente, mergulhar sem medo no universo da leitura com método e disciplina, com a mente aberta para diferentes leituras do mesmo texto.

 

Prof. Carlos Rogério Duarte Barreiros
prof.rogerio.duarte@gmail.com

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